Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
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De Volta Para a Minha Terra: Edição Varsóvia

Militância gourmet em Varsóvia vira meme no perfil de eurodeputado conservador, que evoca o rigor da lei anticomunista polonesa e promete despacho expresso de volta ao Brasil

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Dominik Tarczyński
Dominik Tarczyński

Nos tempos áureos dos domingos do SBT, o saudoso Gugu Liberato garantia picos de audiência com o clássico quadro "De Volta Para a Minha Terra": encontrava migrantes desiludidos na capital paulista, punha uma banda sonora lacrimosa, enfiava toda a gente num autocarro e despachava o pessoal de regresso a casa com mantimentos e electrodomésticos. Décadas mais tarde, o formato ganhou uma versão involuntária no Leste Europeu.

Duas brasileiras decidiram fazer a militância habitual de domingo eleitoral à porta do consulado em Varsóvia, com o "L" erguido e a estrela ao peito. Esqueceram-se apenas do detalhe mais básico: onde estavam. A Polónia não é um diretório académico nem um café no Leblon; é um país que enfrentou quase meio século de opressão soviética e que tem uma legislação penal estrita, respaldada pela Constituição, que proíbe e criminaliza expressamente a apologia e a promoção de ideologias totalitárias e comunistas. Por lá, o fetiche ideológico não é ativismo de postal: dá direito a processo penal.

O episódio ganhou contornos surreais quando a imagem foi parar diretamente às redes sociais e aos stories do próprio eurodeputado Dominik Tarczyński. O falcão conservador polaco não perdeu tempo e disparou a frase que incendiou a internet: "Eu próprio ajudo a fazer as malas antes da deportação".

A montagem que circulou a seguir fechou o espetáculo com chave de ouro: o eurodeputado promovido a apresentador dominical, pronto a entregar as passagens de regresso ao paraíso burocrático que tanto gostam de defender… mas que preferem admirar com a segurança e a infraestrutura do Primeiro Mundo. Protestar com a comodidade europeia é um passeio; complicado é quando a lei anticomunista do país anfitrião bate à porta e ameaça despachar o turista ideológico de volta para o manicómio de onde fugiu.

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