Nem italiano, nem modéstia: o que significa o “SI” de Donald Trump
Num jantar digno das Cinco Famílias de Nova York, o presidente enquadra os bilionários do Vale do Silício e decreta que “artificial” soa fraco demais para o seu império.

O "SI" de Donald Trump não se refere ao clássico consentimento italiano — a não ser pelo beija-mão obsequioso dos donos da tecnologia mundial reunidos na Casa Branca.
Geograficamente distante de Roma, mas forjado na selva de pedra Nova Iorquina — onde ergueu torres e conviveu por décadas com a cartilha dos ítalo-americanos e os códigos nada sutis dos negócios da cidade —, o vocabulário trumpista opera sob uma lógica bem particular.
O encontro de cúpula com os chefões do Vale do Silício parecia menos uma conferência tecnológica e mais uma reunião das Cinco Famílias de Manhattan. Cercado por nomes como Elon Musk, Jensen Huang e Mark Zuckerberg, o Don da vez ditou as regras da mesa. E ali, SI significa "Super Intelligence".
O pretexto é o puro marketing da intimidação: para Trump, a palavra Artificial tem cheiro de coisa fajuta, produto falsificado ou blefe barato. Soa fraco. Já o prefixo SUPER transpira poder bruto, músculo financeiro e domínio absoluto. Com um estalar de dedos diante das câmeras, o presidente simplesmente decretou que a maior revolução científica do século foi rebatizada pelo seu próprio cartel.
Na computação séria, superinteligência é um horizonte molto distante. Mas num jantar de mafiosos, quem se atreve a corrigir o Boss dos chefões sobre a semântica da coisa? Restou aos chefões dos algoritmos apenas engolir o orgulho, manter o sorriso amarelo e responder: SÌ!