Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
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O "Portal das Lágrimas" e a conta que pode explodir

Houthis transformam aeroportos sauditas em zona de combate, ameaçam lacrar o Estreito de Bab el-Mandeb e provam que o comércio global depende da boa vontade de rebeldes armados no Iêmen.

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A geopolítica mundial é uma ilusão mantida por fios de lā, e os Houthis acabam de puxar a tesoura. O ataque massivo de mísseis contra os aeroportos de Riadi e Dammam — atingindo terminais de passageiros e infraestrutura de petróleo — provou que a promessa de estabilidade no Médio Oriente não passa de ficção diplomática.

Mas o verdadeiro pânico do mercado não está na pista de decolagem de Riadi, e sim numa garganta marítima chamada Bab el-Mandeb, que traduzindo do árabe seria como o "Portal das Lágrimas", este estreito canal por onde passa quase 10% do comércio mundial e o petróleo vital do planeta virou o tabuleiro de chantagem.

Se os Houthis concretizarem o bloqueio total do estreito, o efeito dominó na economia global será imediato e devastador:

- A rota dos navios vai dobrar: Sem poder cruzar o Mar Vermelho e o Canal de Suez, os porta-contentores terão de dar a volta completa ao continente africano pelo Cabo da Boa Esperança.

- Mais inflação global: Do chip de computador ao fertilizante agrícola, tudo o que viaja entre a Ásia e a Europa (e que depois se reflete nos preços no Brasil) vai ficar absurdamente caro.

- O choque do petróleo: Com o Estreito de Ormuz em constante tensão e o desvio compulsório dos petroleiros por rotas mais longas, o barril cru ameaça ultrapassar a barreira dos 100 dólares, fazendo o combustível e os fretes agrícolas derreterem o orçamento das famílias e das empresas.

 Washington e Bruxelas gastam biliões em submarinos nucleares e tecnologia militar de ponta, mas a economia do Primeiro Mundo continua refém de um grupo armado de chinelos operando drones de baixo custo à entrada do Mar Vermelho. A globalização é um luxo fantástico até o dia em que a chave da porta principal cai nas mãos erradas.

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